O povo Viking desbravou as águas e descobriu o bacalhau, que na falta do sal, deixavam o peixe a secar ao ar livre, dispostos nos barcos. Mas os Portugueses foram os heróis que deram a conhecer ao mundo esta iguaria e até faz parte da identidade do país por estar tão enraizado na cultura portuguesa.

Os portugueses viram o bacalhau como o peixe ideal para resistir a longas travessias na época dos Descobrimentos. Também por esta altura surgiu a cura tradicional portuguesa, isenta de substâncias químicas, mas que preservava as propriedades nutricionais do peixe e dava-lhe um sabor exclusivo.

 

Curiosamente, a pesca do bacalhau começou no Canadá. Na tentativa de encontrar a contra costa das Índias, os Portugueses navegavam para oeste deparando-se com a “Terra Nova” e a Gronelândia, acredita-se mesmo que os Portugueses começaram a pescar bacalhau na “Terra Nova” por engano. Mas foi sol de pouca dura e no século XVI as tripulações Portuguesas são praticamente expulsas da Terra Nova por Corsários Ingleses e Franceses, sendo a pesca então dominada por eles.

Entretanto, o consumo do bacalhau salgado seco generalizou-se durante o século XVII e, até ao século XX, consumia-se o chamado “bacalhau inglês”.

Só em 1835 é que Portugal colocou as frotas a caminho, ainda com momentos muito atribulados para o negócio. Mas nas décadas de 1950 e 1960 assinalou-se o pico da captura da frota bacalhoeira portuguesa, aumentando cerca de 60% da produção do bacalhau que se consumia, face ao ano anterior.

Estávamos em pleno Estado Novo e depois de várias lutas e testes à resiliência aos homens do mar, Portugal aposta na qualidade do produto. Alcançou o primeiro lugar na produção em 1958, entre pescas na Terra Nova, Noruega e Svalbard, e afirmou-se no mercado internacional.

O último ano em que uma frota de bacalhoeiros parte para a Terra Nova foi em 1974, ano que coincide com a queda da ditadura em Portugal. Também houve mudanças no direito do mar e outros problemas já na década de 60.

Nos dias de hoje, 70% do Bacalhau que consumimos vem da Noruega e 20% da captura mundial de Bacalhau.

Apesar de ser ‘Bacalhau’ para os povos de língua portuguesa; ‘Stockfish’ para os anglo-saxônicos; ‘Baccalà’ para os italianos; ‘Bacalao’ para os espanhóis; ‘Morue’ para os franceses e ‘Codfish’ para os ingleses’; este peixe esteve sempre presente, em momentos muito difíceis e outros muito bons, ao longo da história de Portugal e por isso, tem a alcunha de fiel amigo.

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A riqueza do bacalhau na gastronomia portuguesa é tão abundante e ao longo de tantos anos, que se diz que há pelo menos uma receita de bacalhau para cada dia do ano.

 

O bacalhau é de fácil digestão e apresenta uma elevada riqueza de proteínas de alto valor biológico, de minerais como o iodo, fósforo, sódio, potássio, ferro e cálcio, tal como vitaminas do complexo B.

Trata-se de um peixe magro, fonte de ácidos gordos polinsaturados, destacando-se pelo ómega 3, representando um papel importante como protetor para o sistema cardiovascular, preventivo para o cancro e promotor do desenvolvimento do sistema imunológico.

De acordo com a Direção-Geral da Saúde, o bacalhau é um peixe magro (0,1% da DDR por 100g), fonte de ácidos gordos polinsaturados, destacando-se pelo ómega 3. O fígado deste peixe é o principal reservatório de gordura, de onde se extrai o conhecido óleo de fígado de bacalhau, muito útil na prevenção de uma série de doenças. Também é rico em proteína de alto valor biológico, com quantidades apreciáveis em vitamina D, fósforo, potássio e magnésio. O bacalhau é particularmente rico em selénio, que integra diversas enzimas com capacidades de proteção das células do organismo contra os radicais livres de oxigénio.

O Bacalhau à Zé do Pipo, o Bacalhau à Brás, o Bacalhau Espiritual e o à Gomes de Sá, Bacalhau à Lagareiro e o Bacalhau com Broa, os Bolinhos de bacalhau e as famosas Pataniscas de Bacalhau são exemplos de receitas típicas portuguesas. Ainda hoje fazem parte da identidade portuguesa, encontrando-se em vários livros de cozinha e que passam de geração em geração.

Habitualmente, os acompanhantes deste peixe, são o azeite, que lhe acrescenta os ácidos gordos essenciais e realça o sabor, a batata e o grão, fontes de hidratos de carbono e energia, e ainda as couves e outros hortícolas como a cenoura, ricas em fibras alimentares, vitaminas e minerais. Esta combinação representa um equilíbrio interessante e é uma boa sugestão para um prato saudável.